As tácticas agressivas dos comerciais das operadoras de telecomunicações estão a chegar a níveis verdadeiramente abusivos.
Já faz parte da rotina semanal ter que limpar a caixa do correio de uma meia-dúzia de panfletos de todos os operadores, rabiscados pelos comerciais com um "contacte-me para aderir ou para mais informações". No entanto, há alguns que estão a optar por tácticas mais pró-activas, que começam a ultrapassar a linha do que será desejável ou aceitável - e desta vez aconteceu comigo.
Tocam-me à campainha da porta (de alguma forma já se tinham infiltrado no prédio, onde existe a indicação de que não se deve abrir a porta a "comerciais") e quando pergunto quem é, recebo logo o primeiro sinal de alarme: "Somos do departamento de qualidade da fibra!" - com ênfase no 'da fibra' como se isso fosse um qualquer salvo-conduto que devesse dar acesso imediato a qualquer lugar. Entreabro a porta para ver a criatura, pedindo simpaticamente para repetir: "Desculpe. De onde?" E, novamente, com grande convicção, me é dito que são do "departamento da fibra".
Ora, escusado será dizer que logo vi que a coisa não ia correr bem, mas adiante. Logo de seguida veio a rotina habitual, perguntar o nome (que não dei) e tentar pescar que serviço tinha, usando um "Sabemos que o senhor já tem serviço, certo?" que também não confirmei nem neguei, dizendo que "se são do departamento 'da fibra' já deverão saber se tenho ou não, não é?" Nesse momento, reconhecendo que não iriam ter grande sorte comigo, puseram uma cara de amuados e viraram costas sem sequer se despedirem.
Por estes dias vendedores da MEO aliciaram os meus sogros (+75 anos) com um novo tarifário móvel com direito a ~20 canais fibra. Pedi proposta/tarifário por mail.
"Não damos para não chegar à concorrência. Ah e a proposta só é valida hoje"
Levaram com um adeus e não voltem.
— António Soares (@apsoares) December 13, 2021
A pessoa em questão não se identificou nem não tinha qualquer indicador visível quanto à operadora que representava - e isso, por si só, para além de ser um sinal de alerta, deveria ser algo ilegal. Mas as situações abusivas não se limitam aos vendedores porta-a-porta, também são praticados directamente pelos comerciais das próprias operadoras via telefone.
Por altura de uma renovação, fui contactado por um comercial da operadora, que me estava a propor novas condições, e quando pedi que mas enviassem por email para as poder analisar, me disseram que "não podemos, é algo que só podemos dizer por telefone por ser uma oferta promocional especial". É, novamente, um sinal de alarme, que infelizmente se veio a comprovar como receava: a oferta era a de passar para tráfego móvel ilimitado (o que me interessava) - mas quando disse que sim, milagrosamente disseram que iam enviar as condições por email (ah, afinal já podem!) Só ao ler essas condições é que descobri o "senão" da proposta: o tráfego passava a ilimitado, mas a velocidade dos dados (actualmente ilimitada) passava a ser de apenas 10 Mbits, caindo para 5 Mbits após 100 GB. No meu caso, prefiro 20 GB de dados móveis sem limitações de velocidade, do que ilimitado a "conta-gotas". E, felizmente, em vez de ter que perder tempo a cancelar, limitei-me a não activar a nova oferta, com direito a novo telefonema no dia seguinte a perguntarem porque ainda não a tinha activado, e onde pude explicar o desagrado com o procedimento.
Caras operadoras de telecomunicações, estas pessoas são aquelas que servem de "rosto" da vossa empresa. Ao tratarem assim os clientes e / ou potenciais clientes, não esperem usufruir de qualquer simpatia por parte dos mesmos.
P.S. - Obviamente, há pessoas nestas empresas que têm melhor consideração na forma como lidam com os clientes; e, nalguns casos, estes comerciais acabam por estar limitados a seguir o procedimento que lhes é apresentado no seu ecrã. Mas isso não desculpa tudo, muito menos o episódio inicial que contei, e que me fez partilhar toda esta situação.